segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Quando as palavras não fizerem sentido


Conheço muitas palavras, porém, algumas vezes, elas não são o suficiente para formar sequer uma frase.  Palavras que mesmo se colocadas juntas, uma ao lado da outra, não fazem nenhuma ligação, o menor sentido. Palavras que não expressam aquilo que nós sentimos por dentro. Palavras que se perdem em meio a confusão em nossas mentes.
Às vezes, um choro pode ser compreendido muito melhor do que uma palavra proferida. Um sorriso pode trazer muito mais ânimo do que uma palavra de incentivo. Um simples olhar pode trazer muito mais paz do que uma palavra de consolo. Um abraço pode explicar muito mais coisas do que um discurso decorado.
Por isso, quando as palavras não fizerem sentido, apenas procure expressá-las de outra maneira.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Seria bom

Era sábado, um dia normal de verão. Praia lotada, crianças correndo pra lá e pra cá, pais correndo pra lá e pra cá atrás das crianças, amigos rindo, jovens jogando vôlei, e eu, sentada em frente ao mar apenas relaxando, procurando me preparar psicologicamente para as aulas que iriam começar.
Sentia-me feliz, tão livre e tão tranqüila, na verdade, me sentia extremamente tranqüila. Nada estava errado. Tudo parecia perfeito, perfeito até demais...
Sempre vejo vários surfistas quando vou à praia. Gosto de surf. Nunca surfei, mas tenho uma vontade louca de aprender. E naquele dia o surfista mais lindo que eu já vi apareceu. Ele tinha o cabelo castanho e a pele morena de sol. “UAU!”, foi a única coisa que me veio a mente quando o vi saindo da água.
Fiquei olhando fixamente para ele e ele veio em minha direção.  “Ai meu Deus, será que ele vai vir falar comigo?”, pensei. Não sabia se sorria, se fingia não ter visto, ou se saia correndo e mergulhava no mar. No final, fiquei parada, vendo-o passar por mim. Óbvio que ele não estava vindo falar comigo, ele estava indo falar com os amigos dele, que por um acaso, estavam na mesma direção que eu só que atrás de mim.
Um suspiro de alívio e descontentamento foi o que eu pude expressar. “Seria bom de mais para ser verdade. Afinal, ele nem me conhece!”, me consolava.
De repente, senti que alguém bateu com a perna em mim.
 – Me desculpa! - falou "o alguém". Provavelmente o alguém que bateu em mim. Quando eu me virei... Era ele, com um sorriso encantador.
– Você se machucou? Desculpe mesmo, eu não te vi! Ahn... você não vai falar nada? Quer se sentar com a gente, já que você está sozinha aí?
– Eu to bem sim! Eee... eu quero sim! - disse me levantando e tentando me ajeitar. Tá, eu me senti uma entrona também, mas não podia perder essa oportunidade. Um surfista lindo daqueles falando comigo? Noossa!
Eu me hipnotizei em seu sorriso, e não conseguia tirar os olhos dele. Era estranho, mas achava que aquele seria o momento perfeito para me apresentar. ­
 – É... Então, meu nome é...”
 – Gabrielaaaa!... Gabriela, ô Gabriela – uma voz chamava meu nome e depois senti alguém me balançando. E então, abri os olhos.
Eu ainda estava na praia, mas o belo surfista de sorriso encantador não estava mais lá. No lugar dele estava o meu melhor amigo segurando em meus braços e me chacoalhando.
 ­ – Gabriela, você dormiu aqui na praia. Você tá doida? Você tá toda vermelha e aposto que está com marca de óculos.
 – Marca de óculos? - perguntei ainda meio atordoada e colocando a mão no rosto. Sim, eu estava de óculos, e sim, ele estava certo, com certeza eu estava com marca porque me esqueci de passar o protetor.
Puxei meu amigo pela mão, peguei minhas coisas e saí o mais rápido possível da praia.
 – O que foi? – perguntou ele sem entender nada.
 – Um pesadelo!
 – Você teve um pesadelo? Calma, já passou.
– Não, não. O que eu tive, foi um sonho. Mas o pesadelo eu estou tendo agora. Anda rápido!

É, seria bom se fosse verdade. Mas a realidade nem sempre é como sonhamos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ah, o mar.


Quando eu vejo o mar, eu me sinto como uma criança de novo.
Aquelas ondas batendo na areia. Mesmo você fechando os olhos, ainda pode ouvi-las.
A sensação do inesperado, apenas olhando a imensidão do mar esperando a próxima onda se formar a sua frente.
Pra mim, isso é tão magnífico. Algo mágico.
É tudo tão calmo, tão simples e tão bonito.
Ali, eu me sinto bem. A brisa que vem do mar, o sol que ilumina e aquece meu corpo e a areia nos meus pés.
Fico imaginando como Deus criou tudo aquilo. Aquilo, que é uma obra de arte do nosso Criador, que nós, muitas vezes, não valorizamos.

Sabe quando você quer gritar, correr, pular, rir, falar, sapatear, andar de bicicleta e dançar, tudo ao mesmo tempo?
É, tenho tido essa vontade de vez em quando.
É explicável?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Parei de remoer o passado


Viver o passado não deixa com que você viva o presente, nem deixa com que você planeje seu futuro.
Viver o passado apenas te mostra aquilo que você já viu e viveu e que você quer, por teimosia ,reviver, mas que não serve mais para você.
Eu me sentia de certa forma presa ao passado, como se aquele sentimento que havia não pudesse ser sentido novamente, era como se eu pensasse que só conseguiria viver e me sentir feliz se revivesse as minhas lembranças. Esquecendo-me de viver o presente nesse aspecto.
Hoje, não sou mais como naqueles dias, e ao invés de ficar querendo que tudo voltasse a ser como era antes, deveria ter admitido a mim mesma que eu estou feliz assim.
Se fosse como era antes, não seria como é agora e não faria sentido.
“Para andar para trás, basta apenas estar parado”, acho que vi essa frase no orkut há algum tempo (é, às vezes, bem raramente, eles escrevem umas frases boas).
Acordei feliz por ver que finalmente meu passado ficou para trás, que o que eu sentia não é o que eu quero mais e não é o que serve para mim.
Estou feliz por ser quem eu sou. Com os meus erros e acertos, e ainda, querendo aprender muito.
Vou seguir em frente e “só vou olhar para trás para ver o sol se pôr”.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Se você pudesse ouvir as batidas do meu coração agora, não entenderia porque eu fiz tudo aquilo e ainda consigo continuar a te amar.
A frieza do meu sorriso pode até esconder o calor do meu amor, mas, meu olhar, que foge do teu olhar, sabe que quando o encontrar não conseguirá disfarçar e acusará tudo o que aqui dentro está.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A infância que não volta mais


”Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais! “

“Meus oito anos” - Casimiro de Abreu
A primeira vez em que eu li essa poesia, eu era muito nova para poder sentir falta da minha infância. Devia ter por volta dos meus 13, 14 anos e o que eu mais queria era ser “gente grande”. Quando cheguei ao Ensino Médio, o professor de literatura a recitou em uma de suas aulas, e para minha grande surpresa, eu já conhecia. Era apaixonada por poesia, mas não sabia que conhecia algumas de autores tão renomados. E esse trecho, foi o trecho que eu sabia de cor e só fui saber disso quando comecei a recitá-lo junto com o professor, bem discretamente para ninguém ver.
A partir daí, essas palavras marcaram minha vida. Não consigo ouvir alguém falar em “aurora”, sem começar a recitá-la.  Sempre me lembro de meu professor que não só falou esta, mas muitas outras e sempre me fazia mergulhar em cada palavra dita das histórias dos livros que contava em aula.
Hoje, além disso, essa poesia me marca por outro motivo. A minha infância passou e eu, mesmo não tendo desejado freneticamente crescer, queria saber como era ter uma vida de adulto e, como todas as outras crianças, sempre ouvia os mais velhos dizerem: ”ah, não tenha pressa em crescer. É tão bom ser criança. Tenho tanta saudade de minha infância, das brincadeiras, dos meus amigos.”.
A vida não volta para trás e não podemos voltar a ser criança, o que nos resta é a saudade daqueles dias. Lembro-me que era capaz de ficar a tarde toda deitada na cama, assistindo TV Cultura e, quando chegava as 19:00 horas, o horário acabavam os desenhos infantis, parecia que nada mais tinha graça. Eu ficava o tempo todo mudando e votando para o canal, só para ver se, por um milagre, eles colavam os desenhos de volta (nunca colocaram).
Tenho saudade de correr no prédio, andar de bicicleta, de ralar o mesmo joelho todas as vezes que eu caia. Tenho saudade da minha escola, do medo que eu tinha dos professores se me pegassem dormindo em suas aulas (por isso eu nunca dormia), do medo da diretora ligar para a minha mãe por causa do livro de espanhol que eu sempre esquecia. Tenho saudade de poder abraçar minhas amigas às 7:00 horas da manhã no pátio do prédio do Ensino Médio. Tenho saudade de sair do colégio, chegar em casa e poder simplesmente fazer nada.
Não que eu ache ruim a minha vida de hoje, graças a Deus eu posso trabalhar, estar na faculdade e construir meus sonhos, coisas que quando criança eu não podia. Estou criando minha independência e por mais que isso me deixe insegura às vezes, eu me sinto feliz por ver que meus esforços estão fazendo com que eu caminhe. Saber que tudo que eu passei até hoje se tornaram em pontes para que eu pudesse alcançar meus objetivos. Claro que eu ainda tenho muitos obstáculos para atravessar, mas tudo faz parte da vida e é superando as lutas e as dificuldades que aprendemos a dar valor as vitórias.